O que aprendi com a venda do Instagram

Esta semana começou com uma daquelas notícias que faz todo mundo falar sobre o mundo das corporações digitais e dar sua opinião sobre o acontecimento com total domínio do assunto: o Facebook comprou o Instagram por 1 bilhão de dólares. Vou me arriscar a registrar aqui o que absorvi das últimas 24 horas pós-evento.

A primeira grande lição que tiro desta história toda é que o Facebook nos mostrou (de novo) que o bem mais importante das empresas atualmente, sejam elas digitais ou não, é algo intangível e volátil. Estou falando de pessoas, ou seguidores, como é o jargão técnico da linguagem digital. O Instagram era uma empresa de apenas 13 colaboradores, baseada em um único aplicativo mobile que, tecnicamente falando, não possui grande complexidade e dispõe de funções que usam basicamente recursos já existentes no sistema operacional dos smartphones (no caso o iOS e mais recentemente o Android).

Agora, o que fez o Instagram se tornar uma futura ameaça ao próprio Facebook a ponto de fazê-lo gastar 1 bilhão de dólares? Simples, o Instagram pulou de 1 milhão de usuários em janeiro de 2011 para 15 milhões em dezembro do mesmo ano e atualmente já está com o dobro do tamanho de 4 meses atrás (30 milhões de usuários e crescendo). Nesta proporção, em pouco tempo o Instagram estaria com um tamanho que tornaria sua venda muito mais complexa e seria uma ameaça real as demais redes sociais, incluindo o próprio Facebook. Decisão certa na hora certa.

E o que fez o Instagram se tornar esta febre dos usuários de iPhones pelo mundo? Esta é uma daquelas explicações difíceis de dar. Segundo a avaliação da mídia especializada, a grande vantagem do compartilhamento de fotos pelo Instagram está na simplicidade e na velocidade. Para compartilhar uma foto no Facebook o usuário precisa passar por 6 telas e uma infinidade de cliques. Já a mesma atividade no Instagram é executada em uma única tela e ainda oferece recursos de tratamento da foto que outros aplicativos não possuem.

Para o co-fundador do Instagram, Kevin Systrom, a resposta para a grande adoção do seu aplicativo pelos usuários é que eles compreenderam que o objetivo do Instagram sempre esteve em compartilhar momentos e experiências, muito mais do que compartilhar fotos.

Isto nos leva para a segunda lição que aprendi com Mark Zuckerberg (CEO do Facebook) neste episódio: comprar para crescer e não para destruir.

O negócio do Facebook é o compartilhamento, tendo na grande maioria das vezes as fotos como base das atividades na rede. Ele nasceu compartilhando fotos e seu grande diferencial para as outras redes foi sempre a liberdade que ofereceu aos seus usuários de criar álbuns e fazer o upload de quantas fotos quisessem. Bom, o mais lógico então seria extrair o que de melhor tem o Instagram para colocar no Facebook e matar o serviço recém-comprado. Não é o que parece que Zuckerberg irá fazer, mas é o que com certeza o Google faria. Isto diferencia a estratégia das duas empresas e talvez explique o crescimento do Facebook e a dificuldade de emplacar novos negócios vivida pelo Google.

Em sua nota oficial sobre esta compra, o CEO do Facebook fez questão de reforçar que o Instagram continuará independente e com as funções que permitem, por exemplo, que uma foto seja compartilhada com outras redes sociais e não com o Facebook, se o usuário assim o desejar. Ele não disse que o melhor do Instagram não será incorporado ao Facebook, mas afirmou que ele não será 100% absorvido pela sua rede social e continuará andando pelas próprias pernas. Mais um ponto para o Facebook, neste momento.

Finalmente, o que esta história toda pode trazer para empresas como a nossa ou empreendedores espalhados pelo Brasil acreditando em seus projetos é que é possível, sim, inventar coisas que agradem e tornem-se referência. Nem todos (ou muito poucos) chegarão a ficar milionários, mas muitos poderão se realizar e fazer negócios rentáveis na economia digital. É preciso, acima de tudo, trabalhar duro, estar focado em qualidade e no que os usuários buscam e, é claro, ter um pouco de sorte.

Categoria: Labs.
Tags: , , , , , .

Sobre Marlon Souza

Diretor da Morphy Agência Interativa e um dos pioneiros da internet no Brasil.

Deixe um Comentário

Os campos com * são obrigatórios. Seu e-mail não será divulgado.