O Flash Morreu! Viva o Flash!

O título deste post, parafraseando uma palestra conhecida do amigo Michel Lent, tem realmente o objetivo de causar esta sensação de incoerência, pois é esta a impressão que o artigo no Blog do iPhone me causou. Evoluo aqui um comentário que deixei lá neste artigo.

Em meus mais de 20 anos de trabalho com tecnologia já vi muitas linguagens e padrões serem enterrados prematuramente quando algo novo surgiu.

Foi assim, por exemplo, quando o Java apareceu para dominar o mundo e tudo seria escrito nesta linguagem milagrosa, 100% multiplataforma e infinitamente melhor do que tudo que surgiu antes. Nada contra o Java ou as promessas e expectativas criadas na época. Elas eram, assim como tudo quando começa, somente promessas e expectativas de algo que ninguém sabia ao certo se vingaria e se tomaria a direção que se esperava. E assim deveriam ter sido encaradas.

Muitos anos se passaram e o Java está presente hoje nas mais diferentes aplicações, principalmente no mundo corporativo, muito impulsionado por gigantes de TI como SUN/Oracle e IBM. Mas ele não está em todas as plataformas como foi previsto e, principalmente, não é nativo no iOS, que é onde está a base do toda esta discussão sobre o futuro do Flash.

O Java ganhou seu espaço sem ser necessário que outras linguagens morressem e nem que fosse o único padrão de desenvolvimento no mundo todo. O .Net (inimigo mortal do Java naquela época) também cresceu e abocanhou uma grande fatia do mercado, sem falar no bom e velho PHP que continua crescendo, se modernizando e sendo ainda uma das linguagens mais usadas para o desenvolvimento web. Isto que ele também estava para morrer quando o Ruby on Rails surgiu como uma bomba atômica.

O que muitas pessoas não vêem é que existe espaço para tudo, incluindo a convivência (ou não) do Flash com o iOS. Eles não são excludentes e um não precisa morrer para que o outro viva, como Harry Potter e Voldemort (lembrei do filme que vi com meu filho).

Ele vai se modernizar, ficar mais potente, consumir menos máquina, rodar em outros dispositivos, ser usado para outras finalidades. Ou nada disso vai acontecer e ele vai continuar por aí, vivo e sendo usado por quem achar conveniente, como acontece até hoje com o “velho” Cobol, que continua rodando na maioria das instituições financeiras e tem até versão web (usado por grandes empresas) e muita gente ganhando dinheiro com ele.

Ainda sobre o Flash, a prática é que a tecnologia está presente em praticamente todos os navegadores (inclusive do Mac) e permite fazer coisas como capturar a imagem de um usuário por sua webcam ou rodar um jogo multiusuário sem precisar que o jogador tenha que instalar um plugin como o do Unity.

Nós aqui da Morphy já fizemos e continuamos fazendo muitos projetos incríveis com Flash e não encontramos ferramenta com a mesma flexibilidade e abrangência em browsers que nos permita fazer a mesma coisa. Só para citar dois projetos em Flash na web que hoje não funcionariam em HTML5 ou precisariam de outros plugins para funcionar, veja os posts do Futebol de Tampinhas e dos jogos Mundo Wars e Jornada Mágica.

Que tal então fazer em HTML5 aplicações para desktop como a viagem de asa delta sobre o Rio de Janeiro que fizemos para o lançamento do filme Rio, o jogo de frescobol com reconhecimento de gestos feito para o Banco do Brasil ou o aplicativo para criação de estampas que roda no Museu da Hering.

O HTML5 pode se tornar o padrão de interatividade na web e não duvido disso, mas não podemos descartar o Flash ou qualquer outra ferramenta só porque uma parte do mercado diz que isto pode acontecer.

Viva o Flash! Viva o HTML5! Viva a diversidade!

Categoria: Labs.
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Sobre Marlon Souza

Diretor da Morphy Agência Interativa e um dos pioneiros da internet no Brasil.

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  1. Então, acho que ficou bem claro.

    HTML5 é mais uma opção super interessante. Não vejo problema algum ou ameaças ao Flash, que não é apenas uma ferramenta para rodar vídeos, banners ou animações em sites.

    Concordo muito com o post!

  2. Desde que o mundo é mundo o homem tenta fazer menos do antigo para vender o novo. Já temos fogões de cerâmica com calor por indução, mas continuamos querendo o feijão no fogão à lenha. Cada um com seus benefícios, né?