A “febre” das redes sociais

Não é raro chegar um briefing assim:

Avaliar a participação da marca X no mercado online considerando a possível remodelação dos sites. Importante: não esquecer das redes sociais.

Ok.

Depois de muitas palestras, ppts, entrevistas, podcasts e até sermão do padre, ficou bem claro para todos que as tais redes sociais não podem ser esquecidas num planejamento web. Nada mais justo salientar a importância de tal item.

Aí já vejo um problema, não nas redes, mas na amplitude do planejamento web. Analisemos:

Para uma planejamento ser completo temos algumas etapas básicas:

1 – Diagnóstico (análise públicos internos e externos)
2 – Análise SWOT (pontos fortes, fracos, ameaças e oportunidades)
3 – Objetivos (sim, é o mais importante)
4 – Estratégias (o que precisa ser feito considerando curto, médio e longo prazos)
5 – Cronogramas (quem vai fazer o quê e quando)
6 – Custos (a página que normalmente o financeiro olha primeiro)

Se vamos fazer um planejamento completão, temos que considerar Adwords, Adsense, monitoramento de buzz, relatórios do Analytics (analisados e não só impressos), banners, promoções, e-news, conversões realizadas, além dos desenvolvimentos de hotsites, sites, gestão de conteúdos, banners, lojas e as estratégias para as redes sociais, certo? (puf! puf!)

Certo. Tem que ter tudo, mas o que ocorre é que na prática não é bem assim. Não que as agências não façam, já vi vários projetos que contemplam todas as etapas, com todo o detalhamento e uma amplitude de estratégias que poderia transformar qualquer mercearia em uma megastore em pouco tempo.

Muito passa pelo item 6 do planejamento. Ou melhor, não passa. Daí chegamos onde eu queria, vamos economizar um tanto e ir direto para as redes sociais. Aproveitamos a tal febre e encurtamos o tempo. Chegamos junto ao consumidor e fazemos a maravilhosa conversão de clientes em seguidores. Pá! Resolvido!

Quem estuda um pouco e acompanha a realidade das redes sociais percebe que não é isso que ocorre. Clientes não deixam de ser clientes e passam a ser seguidores por causa da presença de uma marca na rede. Clientes passam a ser seguidores de uma marca quando a estratégia de presença online está bem feita. Quando a empresa cuida da marca em seu site institucional, quando investe em ações criativas e diferenciadas, quando valoriza a opinião dos clientes, quando oferece vantagens reais, quando gera conteúdo relacionado de qualidade (e não só replica) e, principalmente, quando sabe lidar com crises existenciais de consumidores que, por algum motivo, não foram bem atendidos, aí sim clientes passam a ser seguidores.

A presença online exige muito mais das marcas. Exige comprometimento, rapidez, inteligência, criatividade e transparência. As redes sociais só fazem exibir essa política e validar as intenções. Planejar cada uma das etapas passa a ser essencial.

Chegamos à era da verdade na indústria. A propaganda que, por longos anos, podia se valer de valorizar apenas o lado bom do anunciante e escondendo as falhas, perdeu espaço para os amigos. Ninguém mais compra se o “Google” diz que alguma coisa é ruim. Blogs, Twitter, Facebook e Orkut transformaram-se em gurus na decisão de compra.

Voltamos à prancheta, revemos todos os conceitos do marketing e valorizamos o que é o mais importante: quem fala bem de nossa marca (mas isso já é assunto para o próximo post).

See ya!

Categoria: Labs.
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Sobre Alexandre Santos

Estudante de Publicidade e Designer na Morphy - Agência (mais que) Interativa

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  1. Pooois é, muitas empresas simplesmente tem contas nas redes sociais, mas não desenvolvem o marketing ali, e o “estar” nas redes acaba sendo a mesma coisa que “ter conta” nestas redes. Ótimo post, Ju!

  2. É isso mesmo Juliana. Li um dia desses um material que complementa o seu… e no sentido de quando NÃO utilizar e COMO utilizar as redes sociais para empresas. Vale a pena a leitura…

    Facebook: uma ferramenta de uso empresarial
    http://olhardigital.uol.com.br/jovem/redes_sociais/facebook-uma-ferramenta-de-uso-empresarial/14180

    10 mandamentos para você NÃO usar mídias sociais
    http://outrolado.com.br/Artigos/10_mandamentos_para_voce_nao_usar_midias_sociais

    []s e sucesso.

  3. Muito bacana Ju, esse post casa muito bem com o podcast do René de Paula Jr. que comenta sobre o comportamento das pessoas nas redes sociais http://www.usina.com/rodaeavisa/2010/08/videocast-por-u.html bem interessante a crítica :)